segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Poder de Ser

LIBERTAR O CORPO PARA EXPERIMENTAR O PODER DE SER
O corpo é a metáfora derradeira da nossa vida e a expressão da nossa existência. Tudo o que nos sucede fica registado no corpo e por ele é reflectido. O corpo sabe; o corpo diz. A relação entre o eu e o corpo é indivisível, inevitável. No matrimônio entre carne e espírito, o divórcio é impossível, embora isso não signifique que seja feliz ou consciente. Só quando habitamos realmente o corpo podemos começar a viagem curadora e dançante rumo à plenitude.

Muitos de nós não nos sentimos cômodos no nosso corpo nem vivemos plenamente presentes, de forma vibrante, a nossa corporalidade. Tão-pouco estamos em contacto com os ritmos básicos da nossa vida corporal. Vivemos fora de nós mesmos, na nossa cabeça, nas nossas recordações e nos nossos anseios, como proprietários ausentes das nossas propriedades. 



Todos nós já vimos milhares de eus ausentes, nos parques subterrâneos, no trânsito das horas de ponta, no supermercado, perfilados contra as luzes escurecidas do entardecer. E todos sabemos com que frequência somos uma dessas pessoas. Para muitos, o corpo é um inimigo terrível cujos instintos, impulsos e apetites devem ser submetidos e reduzidos a servidão.

Ser – existência, energia, vitalidade – significa que o nosso espírito completa o nosso corpo. O nosso ser inteiro está encarnado. Quando nos observamos ao espelho, o que vemos? Um olhar apagado e oco? Um peito submerso? Um sorriso fingido? Vamos observar-nos. O que vemos? Se não é um ser brilhante que transborda energia e presença, quer dizer que escamoteámos o dom da vida. Regressa-se ao corpo aprendendo a executar a própria dança, de dentro para fora e não de fora para dentro.

In Mapas do Êxtase – Ensinamentos de uma xamã urbana, de Gabrielle Roth

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