A INDIVIDUAÇÃO E A SEXUALIDADE FEMININA CONSCIENTE
As mulheres fazem-se, não nascem mulheres. Há todo um caminho a percorrer no sentido da sua individuação, sem o qual algumas continuam a ser meninas. Despreocupadas e, até por vezes, descuidadas, permanecem ligadas aos ideais de infância, à promessa de perfeição, ao sonho do potencial humano sem limites. Permanecem à superfície, sem contacto com as profundidades, cheias de sorrisos otimistas, mas incapazes de suportar a carga das responsabilidades, as tensões dos compromissos, a realidade sóbria do ser adulta, outras convertem-se em senhoras. Apetrechadas com os símbolos e condutas de parceria associadas ao feminino tradicional, formam-se a si mesmas para prover as necessidades dos outros. Nos círculos Junguianos, são conhecidas como mulheres anima, voluntariamente (mas talvez sem o saber) carregam com as projeções dos homens, adaptando as imagens estereotipadas de beleza da sociedade para lhes agradar e permanecer em contacto com eles, outras convertem-se em pseudo-homens. Conhecidas como mulheres animus, formam-se a si mesmas para serem independentes, produtivas e ativas, descartando-se dos modos de estar na vida das suas mães e passando a identificar-se mais com o mundo masculino (baseado em escritos de Christine Downing).
Na sexualidade, estes papéis manifestam-se através de emoções e comportamentos como medo da intimidade, fuga ao compromisso, dificuldade em lidar com a própria vulnerabilidade e do outro, inibição à exploração e inovação sexual, uso do sexo como arma de poder, incapacidade de abertura e rendição à troca amorosa, dificuldade em tomar a iniciativa e conduzir o(a) parceiro(a), ou excesso de tomada de iniciativa e de conduzir, entre outros, gerando frustração, insatisfação, perpetuação dos padrões e das máscaras a curar.
A proposta fundamental do trabalho com a sexualidade feminina é, então, precisamente o despertar na mulher os seus anseios mais profundos de Ser autenticamente Feminina, tornando-se um ser que escuta a sua voz do coração e cujo poder e autoridade brotam do seu próprio interior entretanto unificado. Um Ser multifacetado, que flui com as propostas da vida, sabendo quando agir, quando refletir, quando esperar, sabendo ser cuidada e cuidar de si própria e de quem a cerca, permitindo-se novos e, até aí desconhecidos, patamares de confiança e de prazer.


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